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Eletrotermofototerapia-UFMG-2



Olá! Seja muito bem vindo(a). 
Hoje o nosso blog vai abordar mais uma vez o tema "inteligência artificial". E por que falar desse assunto em um blog de recursos eletrofisicos usados pelo Fisioterapeuta? Simples. Porque a eletrotermo é parte do nosso rol de ferramentas. Ela tem seu lugar em nossa profissão mas o Fisioterapeuta tem um universo enorme de possibilidades e ações conquistadas e consolidadas ao longo da história da profissão, que nos habilita para cuidar da saúde de pessoas.  E por falar em pessoas ... Em pleno maio de 2020, estamos diante de uma nova rotina mundial que chegou junto com a pandemia de Coronavírus. Para os profissionais da Saúde, muitos cuidados oferecidos a pacientes (exceto aqueles de maior gravidade), passaram  a ser mediados pela internet, seja para monitoramento, seja para assistência.  Muitas ferramentas que estamos usando são tecnológicas. E o cruzamento e organização de dados tem ajudado muito no entendimento desse momento inesperado que atingiu Nações inteiras. democraticamente!  Neste contexto, o Fisioterapeuta precisa se reinventar até mesmo na hora de prescrever e administrar os recursos eletrotermoterápicos. Então, vamos falar de tecnologia, numa série dedicada a "novas possibilidades". Desta vez, a contribuição vem do fisioterapeuta Matheus Milanez. Matheus graduou-se e fez seu mestrado na UFMG e depois de atravessar alguns mares e montanhas, decidiu fazer Engenharia de Controle e Automação. Não, ele não renunciou a Fisioterapia. Sua intenção é aliar o conhecimento de duas áreas que podem, juntas, oferecer muitos ganhos ao paciente. Uma parceria que tem atraído cada dia mais os olhares de muitos profissionais da área da Saúde. No texto a seguir, Matheus traz alguns conceitos e temas que são básicos em tempos de tanta tecnologia porque o ano de 2020, em poucos meses, já deixou claro que a internet das coisas chegou para ficar e melhorar a nossa vida. 

Ligia de Loiola Cisneros



Figura 1 – Rene Descartes e sua obra Discurso do Método

Fonte: Discurso sobre o método, Wikipédia (acessado em 2020)



NOVAS POSSIBILIDADES - 1


Como a inteligência artificial está se aproximando do fisioterapeuta



A história humana é composta por grandes marcos de desenvolvimento científico e tecnológico que vão desde o domínio sobre o fogo e de ferramentas de caça até o uso de máquinas para auxiliar as atividades de produção. Porém foi na revolução científica que a experimentação e quantização do conhecimento humano, começou a tomar o modelo que ele tem hoje, graças ao livro Discurso do Método de Rene Descartes (Figura 1). Descartes considerava a matemática como o caminho mais seguro para chegar ao conhecimento, com a mínima interferência subjetiva do observador. Desde então, as ciências exatas vêm sendo tratadas como uma ferramenta fundamental para comprovar a validade, a confiabilidade e da força de hipóteses científicas. E por se tratar de uma ciência em si, as exatas e as tecnologias vêm evoluindo rapidamente, servindo de suporte para reforçar o conhecimento das outras ciências, e para isso, muitas vezes elas se desenvolvem na tentativa de mimetizar e aprimorar as capacidades humanas, como, por exemplo, a inteligência.


 
 
A inteligência artificial é uma ferramenta computacional, que tenta mimetizar a inteligência humana, a capacidade de encontrar padrões e responder ao meio. A inteligência artificial pode ser entendida como uma rede neural, que nada mais é do que um sistema interligado de neurônios artificiais capazes de calcular o peso de determinada variável (xp), e ao final, identificar um determinado padrão na saída (y), como doenças ou grupos de bactérias super-resistentes (Figura 2). As redes neurais é um método de inteligência artificial capaz de auxiliar os profissionais de saúde, visto que pode ser desenvolvida para identificar diferentes disfunções e incapacidades, acelerando o processo de diagnóstico e prescrição do tratamento adequado. No entanto, as redes neurais podem ser limitadas devido à rigidez do sistema, depois de construída ela dificilmente se adapta a novas condições. Em virtude disso, foi necessário desenvolver um sistema computacional capaz de ser flexível e aprender determinados padrões a partir de um treinamento, assim, surgiu o aprendizado de máquinas, ou machine learning.

Figura 2 – Um neurônio e uma rede artificial

A – Neurônio artificial (unidade de McCulloch-Pitts); B – Rede artificial. 
Fonte: Redes Neurais artificiais (acessado em 2020).

O aprendizado de máquinas permite aos profissionais treinar o computador, apresentando a maior variedade de características, ou fatores de risco, e a ocorrência já conhecida de eventos, ou seja, você ensina para o computador quais entradas levaram a quais saídas conhecidas. A título de ilustração, seria, basicamente, como ensinar a uma criança os fatores que provocam uma disfunção de joelho. A partir desse padrão ensinado, a máquina seria capaz de identificar qual a chance de uma pessoa ter uma disfunção no joelho, considerando os fatores de risco e de comportamento. Como é possível perceber, quanto mais você ensinar à máquina, maior a chance de ela aprender e criar um modelo matemático mais confiável e mais preciso. O aprendizado de máquina também pode aprender diversos resultados de pesquisas científicas, e, com base nisso, identificar o melhor tratamento individualizado para cada pessoa. Isso economizaria horas de estudos de um profissional de saúde, pois para se manter atualizado com toda a informação científica produzida atualmente, seria necessária uma rotina de cerca de 170 horas semanais dedicadas somente aos estudos das novas informações, o que torna a o aprendizado de máquina indispensável.

Uma empresa de tecnologia estadunidense com sede na China treinou uma máquina com base em conhecimentos médicos e a submeteu à prova de título de médico da China. O resultado atingido pela máquina foi superior a 80%, acima do melhor médico humano chinês, deixando claro que as máquinas poderão ser capazes de economizar muito tempo e esforço, além de aperfeiçoar a prescrição dos tratamentos em saúde (FUTURISM, 2017). Um algoritmo de machine learning desenvolvido pela BlueDot alertou para o risco de uma pandemia mundial de corona vírus, antes do seu acontecimento (WIRED, 2020).

Apesar do que parece, a inteligência artificial está muito mais perto do que imaginamos. Praticamente todos os celulares e todas as plataformas de e-commerce, como a Amazon e a Netflix, já possuem sistemas de inteligência artificial para identificar padrões de compra ou de preferências. Ainda na China, a empresa Ping an good doctor já disponibiliza uma máquina capaz de avaliar, diagnosticar e indicar a medicação correta em cerca de 1 minuto, isso poderá revolucionar o acesso ao tratamento correto em países subdesenvolvidos ou em regiões onde existe falta de profissionais de saúde.
Figura 3 – Máquina de diagnóstico Ping na good doctor
Fonte: Radar do futuro (2019)

A fisioterapia não está de fora dessa mudança de paradigma. Paralelamente ao avanço da inteligência artificial está ocorrendo o aperfeiçoamento de dispositivos vestíveis (wearables), que são capazes de medir e monitorar diversas funções e atividades físicas durante todo o dia. Estima-se que cerca de 90% de todo o volume de dados do mundo foram gerados nos último 5 anos, e que se forem analisados matematicamente podem trazer informações inovadoras para o diagnóstico e tratamento de disfunções e/ou de inatividades. Wearables como relógios, celulares, pulseiras e sensores de movimento são capazes de identificar se você teve uma noite boa de sono, se você está se movimento o mínimo necessário e se você sofreu alguma queda, por exemplo. Os wearables são capazes de gerar um volume enorme de dados individualizados, que, consequentemente, levam a um volume de informações que poderá ser usado pelo próprio dispositivo ou pelo fisioterapeuta, para identificar padrões anormais. Quando associados a um sistema de inteligência artificial, esses dados poderão ser processados rapidamente, sendo utilizados para complementar a avaliação profissional, além de fazer o monitoramento do tratamento e ainda enviar todas essas informações para seu fisioterapeuta.

Por enquanto, a inteligência artificial não é uma ferramenta de substituição nem uma ferramenta de extermínio humano, ela é só mais um recurso tecnológico com alto potencial e que está promovendo o desenvolvimento humano. Se você é profissional de saúde busque estudar mais sobre essa tecnologia, se você é um usuário do sistema de saúde, lance mão de dispositivos que alimentem as máquinas com mais conhecimento. Dessa forma, o desenvolvimento científico se aproximará ainda mais da vida das pessoas.



REFERÊNCIAS

FUTURISM, 2017. For the first time, a robot passed a medical licensing exam. https://futurism.com/first-time-robot-passed-medical-licensing-exam (acessado em 17 de maio de 2020).

ICMC – USP. Redes neurais artificiais. https://sites.icmc.usp.br/andre/research/neural/ (acessado em 17 de maio de 2020).

RADAR DO FUTURO, 2019. A solução chinesa para enfrentar a escassez de médicos. https://radardofuturo.com.br/a-solucao-chinesa-para-enfrentar-a-escassez-de-medicos/ (acessado em 17 de maio de 2020).

WIKIPÉDIA, 2020. Discurso sobre o método. https://pt.wikipedia.org/wiki/Discurso_sobre_o_Método (acessado em 17 de maio de 2020).

WIRED, 2020. An AI epidemiologist sent the first warnings of the Wuhan Virus. https://www.wired.com/story/ai-epidemiologist-wuhan-public-health-warnings/ (acessado em 17 de maio de 20 20).






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