Pessoas com incontinência urinária masculina: podemos ajudar? SIMMMM!
Mais um texto produzido por alunos do nosso curso, em 2021. Este texto foi formalmente autorizado para divulgação aqui no Blog. Agradecemos aos nossos colaboradores por apoiarem a divulgação de informação de qualidade para pessoas como você, que busca saber mais sobre o uso de recursos da eletrotermoterapia!
Autoria dos discentes: Ana Carolina Ferreira Fonseca, Ana Carolina Mesquita Delmaschio, Caroline de Jesus Almeida, Flávia Correia Sousa Costa, Maria Eduarda Machado Martins, Milena Alcântara Neto, Pollyanne Fernanda Barbosa da Cruz e Rayanne Maria Martins Soares
(Curso de Graduação em Fisioterapia - Universidade Federal de Minas Gerais)
RESUMO
Em homenagem a campanha do novembro azul, neste texto será abordado a atuação da fisioterapia em uma possível consequência da retirada da próstata, a Incontinência Urinária, que consiste na perda involuntária de urina pelo canal uretral. Nesse contexto, a fisioterapia tem desempenhado um importante e efetivo papel como forma de tratamento da incontinência urinária, dentre eles, destaca-se a eletroestimulação, um método que pode favorecer o sucesso dos exercícios para a musculatura pélvica, quando eletrodos colocados no períneo por via percutânea, entre outros, promovem um aumento na resistência esfincteriana e redução na contração detrusora, portanto, evitando a perda indesejada de urina.
INTRODUÇÃO
Novembro Azul é uma campanha mundial que tem o objetivo de promover os cuidados com a saúde masculina, como a conscientização sobre a prevenção e combate ao câncer de próstata, visto que é o segundo tipo de câncer mais frequente em homens no mundo, tendo uma média de 71 casos para cada 100 mil homens no Brasil.
No entanto, apesar de uma elevada incidência de acometimentos, é uma neoplasia com índice de mortalidade relativamente baixo, com sobrevida média mundial estimada em cinco anos de 58% dos casos.
O tratamento considerado mais eficaz é a prostatectomia, todavia, esta operação tende a causar muitas complicações entre as quais a incontinência urinária é a mais aflitiva. Em muitos pacientes, os sintomas melhoram em alguns dias, semanas ou meses sem intervenção, mas, há uma pequena proporção de pacientes em que a incontinência permanece.
A incontinência urinária consiste na perda involuntária da urina pela uretra. É estimado que grande parte dos homens que realizam a cirurgia de prostatectomia apresentam incontinência temporária ou persistente.
Em relação ao grau de incontinência urinária, no período pós-operatório, esse fator pode variar entre leve e severa, sendo:
● Leve: apresenta somente alguns escapes de urina durante a realização de movimentos ou esforços.
● Severa: consiste na necessidade de se utilizar fraldas.
Vale ressaltar que a frequência/permanência dos sintomas da incontinência urinária, após cirurgia para retirada da próstata, se dá pela lesão no esfíncter da uretra e no nervo pudendo.
DESENVOLVIMENTO EM TÓPICOS
● Estatísticas/dados do câncer de próstata e da prostatectomia
- Quão comum é a incontinência urinária após a cirurgia de retirada da próstata?
A Incontinência urinária masculina é uma das consequências mais comuns da prostatectomia radical, que é o nome que recebe o procedimento cirúrgico de retirada da próstata. A incidência da Incontinência após a cirurgia é de cerca de 40% a 60%, podendo apresentar graus variados, porém a maioria desses casos é temporária e sem a necessidade de intervenção, restando apenas cerca de 5% de casos persistentes.
Além disso, a Prostatectomia Radical é uma das formas de tratamento mais utilizadas no combate ao câncer de próstata, utilizada em cerca de 51,6% dos casos. Sendo o câncer na próstata o mais comum na população masculina, correspondendo a 29% dos diagnósticos de câncer em homens no Brasil. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer) há uma estimativa de 65.840 novos casos a cada ano entre os anos de 2020-2022.
Incidência estimada de acordo com a localização primária do tumor.
- Em homens, no Brasil, ano de 2020:
● Como a eletroterapia auxilia no tratamento
A eletroestimulação é um método que apresenta grande eficiência no tratamento da incontinência urinária em homens após a prostatectomia radical, apresentando taxas de sucesso entre 30% e 50%, além de melhorias dos sintomas de 6% a 90%. Ela pode ser aplicada por meio de dispositivos cutâneos, eletrodos endo anais e tem como principal objetivo o fortalecimento e a hipertrofia dos músculos do assoalho pélvico.
Esse método quando usado associado ao treinamento dos músculos do assoalho pélvico tem maior porcentagem de benefícios para o tratamento da incontinência urinária quando a eletroterapia é usada, principalmente, na primeira fase do tratamento fisioterapêutico no assoalho pélvico, isso ocorre, pois, esse método é considerado um exercício passivo e em casos em que o paciente não é capaz de contrair os músculos do assoalho de maneira voluntário, mesmo após comando verbal, ele é crucial para despertar a consciência desse paciente sob essa musculatura.
● Quais os tipos de correntes utilizadas?
Um estudo realizado por Santos et. al (2016) na Clínica Escola de Fisioterapia do Centro Universitário do Pará, avaliou 3 indivíduos do sexo masculino com idade entre 50 e 79 anos, portadores de incontinência urinária devido a prostatectomia radical. Durante a pesquisa eles foram submetidos a 10 sessões de eletroestimulação funcional endo-anal com uma corrente bipolar simétrica, por meio do estimulador neuromuscular Dualpex 961, as sessões eram realizadas três vezes por semana, os dias eram alternados, com duração de 20 minutos cada sessão.
A eletroestimulação funcional foi realizada com o voluntário em decúbito lateral, joelhos e quadril semiflexionados, introduziu-se o eletrodo anal com gel lubrificante. Nos primeiros 10 minutos utilizou-se frequência de 10 Hz, com largura de pulso de 250 µs e nos próximos 10 minutos, 50 Hz, com largura de pulso 700 µs. A intensidade foi sendo ajustada de forma individualizada, tendo em vista a sensibilidade de cada paciente e a visualização da contração muscular. O resultado mostrou a eficácia da estimulação elétrica funcional para os três indivíduos, sendo que o indivíduo que não fez tratamento quimioterápico e/ou radioterápico obteve a recuperação completa no sexto dia de atendimento, já os pacientes que precisaram se submeter à radioterapia e/ou quimioterapia apresentaram recuperação parcial da continência urinária ao término das sessões.
● Quais os propósitos dessas correntes?
A estimulação elétrica funcional (FES) é utilizada para fortalecimento muscular de um grupo muscular paralisado, ou extremamente fraco. Esta técnica tem como base a produção da contração através da estimulação elétrica, que despolariza o nervo motor, produzindo uma resposta síncrona em todas as unidades motoras do músculo. Este sincronismo promove uma contração eficiente, mas é necessário treinamento específico, a fim de evitar a fadiga precoce que impediria a utilização funcional do método com o objetivo reabilitacional. A aplicação de FES ativa as fibras perineais, principalmente as do tipo 2 que possuem contração rápida, e por isso pode promover a reabilitação de disfunções perineais, por exemplo a incontinência urinária.
CONCLUSÃO
Diante disso, conclui-se que os tratamentos com eletroestimulação contribuem para redução dos sintomas urinários, já que a estimulação crônica fortalece a musculatura estriada e a hipertrofia, as fibras de contração rápida e lenta, além de possuir aspectos uma terapia neuromoduladora a qual afeta os sinais neurais que controlam a incontinência.
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REFERÊNCIAS
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