Eletroestimulação de corpo inteiro: Uma breve explicação
A eletroestimulação global é um método que vêm se tornando popular em diferentes áreas, mas você sabe como ele funciona? Os parâmetros da sua corrente elétrica? E o valor de investimento, preço das sessões, capacitação?
Post elaborado, em 2020, por discentes matriculados na disciplina Eletrotermofototerapia, do curso de Graduação em Fisioterapia da Universidade Federal de Minas Gerais, sob a supervisão da Profa Ligia de Loiola Cisneros
Nossos autores:
Samá, Paola, Alice, Luciana, Julia Melo, Miguel, Thamires, Francielle K, Gabriella C, Josi
Texto revisado pelas monitoras da matéria: Gabriela Mendes e Mariany Scaldaferri
A eletroestimulação de corpo inteiro surgiu como evolução da estimulação elétrica tradicional do músculo (EMS).O avanço da tecnologia permitiu a ativação de vários grupos musculares de maneira sincronizada, possibilitando obter resultados similares a outros modelos de treinamento, como a musculação.
Atualmente, tem se tornado mais popular na prática de exercícios físicos como uma ferramenta para a melhora da capacidade funcional dos praticantes, sendo estes pessoas saudáveis e pacientes que não podem realizar formas convencionais de exercício voluntário devido às limitações físicas. A técnica possibilita a diminuição da gordura corporal com concomitante aumento da massa magra, melhora do desempenho em atletas, reabilitação de pacientes com dificuldades de locomoção, além de melhoras em variáveis psicológicas e redução de dores musculares.
Apesar dos vários benefícios, os resultados da literatura ainda são diversos, com estudos que mostram efeitos negativos, como dano muscular severo, podendo evoluir para rabdomiólise. Sendo contraindicado para pessoas que sofrem de epilepsia, que possuem marcapassos, feridas na pele, tumores, varizes, tromboses, arritmia cardíaca, grávidas, entre outras.
O aparelho
Para que ocorra movimento há um padrão onde o cérebro reconhece a necessidade de movimentação no qual envia um comando para as fibras musculares sendo este em forma de estímulo elétrico fazendo com que os músculos respondam se contraindo. Na EMS, através do uso de eletrodos bem posicionados e preparados, os músculos contraem e relaxam com o intuito de trabalhar e exercitar as áreas necessárias.
Funcionamento
Durante o uso da eletroestimulação de corpo inteiro, nota-se a ativação geral da musculatura por meio de eletrodos bifásicos de grande porte posicionados em um traje que se conecta à fonte da corrente por meio de um cabo principal. Portanto, como o traje passa por todo o corpo (como pode ser visto na imagem abaixo).
Nessa terapia, todos os grupos musculares são estimulados, diferentemente da eletroestimulação tradicional em que são estimulados grupos musculares específicos, cada um formando o seu próprio circuito. Como nesse caso, o corpo todo está fazendo parte do circuito, o custo metabólico aumenta, e ainda é dito que a musculatura é ativada globalmente.
Pontos fortes do tratamento:
● A unidade de controle é do tamanho de um computador portátil e permite a instalação em locais pequenos.
● Todas as funções são controladas por meio de um único painel.
● Com um baixo volume de treinamento e um curto período de intervenção (14 semanas), o treinamento com eletroestimulação muscular de corpo inteiro revelou efeitos significativos na composição corporal de pessoas idosas.
● Existe um sistema de aplicação chamado Miha, que ativa a musculatura de uma forma global e intensa, trazendo resultados rápidos, evitando o desequilíbrio muscular através da co-contração. Com essa tecnologia alemã é possível ativar 300 músculos simultaneamente em um treino de somente 20 minutos.
Parâmetros da corrente
A corrente emitida nesse tratamento se caracteriza por ser: de baixa frequência, pulsada, bifásica, compensada, simétrica e com onda retangular. Os estímulos elétricos do eletroestimulador são medidos em Hertz (símbolo Hz)
Diferentes frequências, irão trazer diferentes resultados, são alguns deles:
● 1 a 3 Hz: Elimina contraturas musculares e relaxa os músculos;
● 4 a 7 Hz: Produz um aumento na produção de endorfinas, diminuindo a dor;
● 8 a 10 Hz: Produz aumento no fluxo sanguíneo na área aplicada;
● 10 a 33 Hz: As fibras Tipo I ou de contração lenta, são contraídas e a resistência muscular aumenta;
● 33 a 50 Hz: As fibras musculares intermediárias são contraídas;
● 50 a 75 Hz: As fibras tipo II, ou de contração rápida, são estimuladas, atingindo um aumento na força e massa muscular. Estudos comprovaram que, a hipertrofia alcançada é máxima;
● 75 a 150 Hz: As fibras de Tipo II, ou de contração rápida, são estimuladas e grandes melhorias em força e velocidade são alcançadas.
Entrevista
Foi realizada uma entrevista com a representante brasileira da fabricante do aparelho de eletroestimulação de corpo inteiro, a MihaBrasil, e um estúdio que oferece essa terapia, a BodyPulse. As seguintes informações foram apuradas:
● O aparelho de estimulação de corpo inteiro é importado, da fabricante Miha Bodytec com investimento que varia de R$110.000,00 a R$150.000,00;
● Pode ser usado em pessoas acima de 15 anos, em que inicialmente ocorre uma anamnese para avaliação de aptidão ao método;
● As sessões avulsas custam cerca de R$150,00 com uma primeira sessão experimental de R$95,00, já a mensalidade gira em torno de R$489,00, com direito a uma sessão por semana;
● É necessária uma capacitação profissional com certificação e fundamentação envolvendo um seminário teórico e prático.
Conclusão
Dessa forma, está claro que o WB-EMS é um método interessante de treinamento para melhora da força, desempenho, alterações positivas da composição corporal e melhoras na saúde mental. É ainda necessário ter um conhecimento técnico sobre eletrotermofototerapia, para ser apto a utilizar o equipamento, tendo em vista que diferentes parâmetros geram diferentes resultados. Por isso, é necessário ter fundamentação e certificação para seu uso. Apesar de possuir resultados positivos, esse tipo de tratamento ainda precisa de mais estudos, e se trata de uma intervenção de alto custo e pouco acessível.
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Postagem pública autorizada formalmente pelos autores.


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