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Eletrotermofototerapia-UFMG-2

DIATERMIA POR ONDAS CURTAS: reflexões e conclusões da 1a turma do currículo novo do curso de graduação em Fisioterapia da UFMG

DIATERMIA POR ONDAS CURTAS

reflexões e conclusões da 1a turma do currículo novo do curso de graduação em  Fisioterapia da UFMG


Elaborado pela turma de 2018/1 sob a orientação das professoras Ligia de Loiola Cisneros, Vanessa Lara de Araújo, o mestrando Vitor Tigre e a monitora Leticia Carla Fernandes Cunha

 

Veja, a seguir o texto final do estudo e Seminário sobre uso ou desuso da diatermia por ondas curtas no atendimento a pacientes com osteoartrite. 

 

 "....a utilização ou não do ondas curtas depende das circunstâncias especificas de cada paciente, uma vez que estes apresentam formas diferentes de interação com cada instrumento de aplicação,ou seja, para pessoas com uma mesma doença o tratamento pode ser diferente. Assim, o tratamento ou não com ondas curtas deve ser analisado de forma individualizada e não abolido totalmente da pratica fisioterapêutica"



HISTÓRIA DO ONDAS CURTAS 

A compreensão atual acerca do funcionamento das ondas curtas deve-se, principalmente, ao usufruto das bases teóricas importantes que descrevem os fenômenos relacionados a esse tipo de calor profundo.

Diante disso, destacam-se os estudos realizados por Faraday (1867) e Maxwell (1879) sobre o eletromagnetismo. Uma das suas teorias concluídas é que a interação entre os campos elétrico e magnético gera ondas eletromagnéticas, objeto de estudo de muitos pesquisadores, posteriormente.

Foi o caso de D’Arsonval (1890), em Paris: o cientista passou uma corrente de 1 (um) ampère e elevada frequência entre si mesmo e seu assistente Cornu. Relatou, então, apenas sensação de calor. Isso incitou a busca pela criação de métodos e instrumentos que permitissem essa forma de transmissão de calor profundo por ondas eletromagnéticas, as ondas curtas. 

O que é? Como funciona?
É uma terapia de correntes elétricas de alta frequência, não invasiva que utiliza o calor profundo para um tratamento superficial e/ou profundo. Esse calor pode ter níveis diferentes conforme o tecido atingido. O uso terapêutico das oscilações eletromagnéticas com frequência maior que 100.000hz não causa despolarização da fibra nervosa, mas esta energia pode transformar-se em energia térmica no tecido corporal. As radiações eletromagnéticas por ondas curtas variam, quanto à frequência, que pode ser de 10 a 100mhz, também conhecidas como ondas mais curtas e é utilizada na diatermia terapêutica. A energia das ondas curtas pode ser utilizadas de modo contínuo ou pulsado e é variável, quanto à frequência e pouca ou nenhuma energia, encontra-se na faixa mestra.Essas ondas são produzidas em resultado de oscilações elétricas e podem ser criados tanto campos elétricos como campos magnéticos, em decorrência de sua ação. Um campo magnético é produzido por uma carga elétrica móvel e, visto que os campos magnéticos exercem força sobre outras cargas em movimento uma corrente elétrica alternada, por exemplo, irá iniciar a geração de um campo magnético que por sua vez poderá iniciar a produção de uma corrente induzida. Tanto campos elétricos como campos magnéticos podem ser criados em tecidos humanos submetidos à diatermia por ondas curtas. A dose utilizada na terapia depende do feedback do paciente em relação a sensação de queimação e principalmente em relação ao conforto do paciente. O tempo de utilização é de 20 minutos. Utiliza-se um eletrodo flexível de borracha. Deve-se respeitar uma distância de 3 centímetros entre o eletrodo e a pele do paciente, para não causar queimaduras, com isso os terapeutas costumam utilizar uma toalha envolvendo os eletrodos. 

Efeitos fisiológicos do ondas curtas
Os efeitos fisiológicos do aparelho de ondas curtas consistem em aumento do fluxo sanguíneo local e aceleração da remoção de metabólitos, decorrente da vasodilatação causada pelo calor gerado pelas ondas emitidas pelo aparelho. Essa vasodilatação ocorre inicialmente nas arteríolas e capilares sendo seguida da vasodilatação de vasos linfáticos e veias caso se tenha permanência do calor. Possui efeito sobre o sangue que causa elevação do metabolismo, uma vez que o aumento do fluxo sanguíneo local leva ao aumento da demanda de O2 , de nutrientes e leucócitos, aumentando a capacidade de fagositose, mecanismo esse importante na resolução do processo inflamatório crônico.Também diminui a viscosidade do sangue o que ocorre devido ao calor que diminui a coesão intermolecular, fluidificando os líquidos. As fibras nervosas periféricas têm sua velocidade de condução aumentada em consequência do calor. Também ocorre inibição das fibras nervosas sensitivas. Aplicações locais na hipófise influencia a atividade desta glândula. Sobre os sistema nervoso simpático e do parassimpático a ação do aparelho é a libera de neurotransmissores, noradrenalina e acetilcolina, respectivamente. A vasodilatação ocorrida causa relaxamento muscular e favorece o aumento de metabolismo e drenagem de catabólitos no tecido muscular, promovendo assim a captação de catabólitos do trabalho muscular.

Efeitos terapêuticos do ondas curtas
O uso do ondas curtas promove um aquecimento dos tecidos corporais profundos. Esse aquecimento é responsável por vários efeitos fisiológicos. Quando o fisioterapeuta opta por utilizar esse recurso ele considera esses efeitos e suas implicações terapêuticas. Exemplos dessas implicações são: o alívio das dores e espasmos, isso ocorre com o efeito sedativo nas terminações nervosas sensitivas periféricas; a diminuição da rigidez muscular, por causa do aumento do metabolismo e da drenagem de catabólitos decorrente do maior fluxo sanguíneo, assim como devido à analgesia; o aumento da extensibilidade do colágeno, devido a diminuição da dor e da rigidez muscular; a melhoria na resolução de inflamações, com a vasodilatação tem-se a maior capacidade de fagocitose (pelos leucócitos), o metabolismo aumentado e a hiperemia, que são mecanismos de defesa; a reabsorção mais rápida de hematomas e edemas, devido à vasodilatação (que provoca o aumento do fluxo sanguíneo e do retorno venoso e linfático); a aceleração da cicatrização de feridas; e, a regeneração de tecidos moles. 

Indicações da diatermia por ondas curtas:
O uso do aparelho de ondas curtas é indicado para com: Pré-cinesioterapia; Artropatias degenerativas como: epicondilite, artrite e bursite; Fraturas, contusões, entorces e hemartrose; Fibroses, lombalgias ,torcicolo, mialgias e neuralgias; Atrofias musculares e pós imobilização; Infecções piogênicas de pele como: abscessos e furúnculos;
Em geral é indicado para diferentes tipos de inflamação, atrofia muscular, lesões e pré-cinesioterapia.


CONTRAINDICAÇÕES PARA O USO DE ONDAS CURTAS
O uso de ondas curtas é contraindicado em situações como: Paciente com implante de marcapasso (pode causar efeitos sobre o gerador de pulso levando a danos do circuito por geração de calor) ou dispositivos metálicos (estimuladores elétricos ou bomba de infusão para medicamento); metal nos tecidos ou fixadores externos (o metal concentra o campo magnético); anormalidades cognitivas e hipoestesia (compromete a percepção ou o relato de aumento da temperatura e de queimaduras); pacientes que não cooperam (devido distúrbios do movimento ou mental, ou então, devido a idade); gestação; áreas hemorrágicas (se a pelve for irradiada, há possibilidade do aumento do fluxo na mulher em períodos menstruais, e ela deve ser avisada quanto a isso); tecido isquêmico; neoplasias (dissemina células neoplásicas); mal de Pott (tuberculose óssea) ou pacientes com osteoporose acentuada (frequentemente acentua a dor); trombose venosa recente; paciente em estado febril; infecções regionais; fase aguda de processos inflamatórios, traumáticos ou hemorrágicos; áreas da pele afetadas por aplicações de radioterapia; circulação comprometida; feridas abertas; lesão cardiovascular.


OSTEOARTRITE
A osteoartrite é uma patologia crônica degenerativa que gera desgaste em articulações do tipo sinoviais. De acordo com Zacaron, 2006 podem ser observados crepitações ósseas, atrofia muscular, estreitamento do espaço intra-articular, formação de osteófitos e esclerose do osso subcondral. Dentre as doenças crônico-degenerativas, a osteoartrite é forma mais prevalente de artrite. (MASCARENHAS, 2010)

Alguns fatores podem predispor a osteoartrite, como o envelhecimento, a obesidade, lesões, esforço ocupacional ou recreacional, mau alinhamento articular e fraqueza muscular. (ZACARON, 2006). Segundo Rezende, 2013 a gênese do problema ocorre quando os condrócitos produzem altos níveis de citocinas inflamatórias, que diminuem a síntese do colágeno e aumentam seu catabolismo. Ademais, o estresse mecânico aumenta a produção de óxido nítrico pelos condrócitos, que favorecem a sua apoptose e a degeneração da matriz (REZENDE, 2013).

A osteoartrite possui elevado grau de morbidade em idosos, presente em 35% dos joelhos de pessoas com trinta anos de idade ou mais e afeta quase todos os indivíduos a partir dos cinquenta anos (GUAITANELE, 2004). Entre as doenças agrupadas sob a designação de “reumatismos”, a osteoartrite representa cerca de 30 a 40% das consultas em ambulatórios de Reumatologia. Segundo dados da previdência social no Brasil, essa doença é responsável por 7,5% de todos os afastamentos do trabalho; é a segunda doença entre as que justificam o auxílio-inicial, com 7,5% do total; é a segunda também em relação ao auxílio-doença (em prorrogação) com 10,5% e é a quarta a determinar aposentadoria (6,2%).

A osteoartrite acomete principalmente mulheres, com destaque para as mãos e joelhos. Em homens, a articulação coxofemoral é a mais afetada. 85% das pessoas com 75 anos de idade têm evidência radiológica ou clínica da doença, mas somente 30 a 50% dos indivíduos com alterações observadas nas radiografias queixam-se de dor crônica.

Inicialmente os sintomas da osteoartrite não são muito evidentes por ser uma doença que se desenvolve lentamente e piorar com o tempo. Dor mecânica e inflamatória, e sensação de ranger são sintomas típicos da doença, sendo o primeiro o mais relatado pelos pacientes (DADALTO, et al. 2013). “A dor mecânica traduz processos evoluídos e irreversíveis, em que esta se deve sobretudo a lesão estrutural com destruição articular” (FAUSTINO 2010). Já a dor inflamatória (ou mista) está relacionada com processos geralmente mais precoces e reversíveis. Nesse momento da doença o diagnóstico e tratamento é essencial para diminuir a evolução do quadro e tratar a inflamação (FAUSTINO 2010). Dentre os sinais, estão enrijecimento e diminuição da mobilidade articular, aumento do volume das articulações, perda de flexibilidade e inflamação.

O tratamento da osteoartrite pode ser cirúrgico, farmacológico, não-farmacológico ou conjugado, que é o mais comum de acontecer, devido a progressão da doença. Dentre os não farmacológicos o consenso brasileiro para o tratamento da osteoartrite (2002) destaca: programas educativos – que são baseados em esclarecer o paciente sobre a doença e motiva-lo a aderir os tratamentos propostos -, exercícios terapêuticos, órteses e equipamentos para auxiliar a marcha. Além do uso de recursos físicos terapêuticos como termoterapia e eletroterapia. O ondas curtas pulsadas em dose baixa e alta é uma modalidade eficaz para o tratamento em curto prazo de dor em mulheres com osteoartrite do joelho (FUKUNDA et al. 2011). Por outro lado, dentre os tratamentos farmacológicos estão analgésicos e anti-inflamatórios como paracetamol e ópioides naturais ou sintéticos, agentes tópicos e drogas sintomáticas de ação duradoura como o sulfato de glucosamina e a cloroquina. É também citado pelo consenso brasileiro para o tratamento de osteoartrite (2002) como terapias farmacológicas a terapia intra-articular, caracterizada pela infiltração de diversos fármacos como o ácido hialurônico.

O tratamento cirúrgico normalmente é indicado para pacientes graus II e III que não apresentaram melhora com os tratamentos conservadores. As cirurgias indicadas pelos ortopedistas normalmente são desbridamento artroscópico, osteotomias e artroplastias.

Os efeitos da terapia de ondas curtas assim como os de outros recursos possuem um tempo de ação determinado. O que não o torna ineficaz, apenas implica que ao escolher esse método o terapeuta deve se atentar a esse fato para programar o tempo e a frequência das sessões de forma adequada. Dessa forma ele consegue atingir seu objetivo de curto prazo ao fim da sessão e seu objetivo a longo prazo com a melhora gradual e progressiva devido a continuação do tratamento. 

Embora a utilização do aparelho de ondas-curtas seja contraindicado para pacientes não-responsivos, essa é uma contraindicação muito comum entre os recursos terapêuticos. Além disso, geralmente, os pacientes que fazem o tratamento com ondas-curtas, não apresentam incapacidades que os impossibilitem de entender os comandos do profissional e saber responder ao tratamento. Para pacientes não responsivos são indicados outros meios de tratamento, nos quais o fisioterapeuta não depende tanto do feedback do paciente para dosar o tratamento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MASCARENHAS et al. Avaliação funcional de idosas com osteoartrite de joelhos submetidas a tratamento fisioterapêutico. Rev Baiana Saude Publica Miolo.indd 254 ev Baiana Saude Publica Miolo.indd 254. 2010
ZACARON et al. Nível de Atividade Física, Dor e Edema em Idosos com OA de Joelhos. Rev. bras. fisioter., São Carlos, v. 10, n. 3, p. 279-284 , jul./set. 2006
REZENDE et al. Conceitos atuais em osteoartrite. Acta Ortop Bras. 2013;21(2): 120-2
GUAITANELE, T. G. A eficácia da aplicação de laser AsAlGa 830nm em pacientes portadores de osteoartrite de joelho Monografia. Cascavel (PR): Universidade Estadual do Oeste do Paraná, 2004.
OSTEOARTRITE (ARTROSE). Disponivel em: < www.reumatologia.org.br/doencas/principais-doencas/osteoartrite-artrose/ >. Acesso em: 16 jun. 2018.
FAUSTINO, Augusto. Osteoartrose ou Osteoartrite?. Boletim Informativo da Sociedade Portuguesa de Reumatologia, v. 9, p. 18-21, 2010.
DADALTO, Thais Varanda; DE SOUZA, Cintia Pereira; DA SILVA, Elirez Bezerra. Eletroestimulação neuromuscular, exercícios contrarresistência, força muscular, dor e função motora em pacientes com osteoartrite primária de joelho I. Fisioterapia em movimento, v. 26, n. 4, 2013.
COIMBRA, Ibsen Bellini et al. Consenso brasileiro para o tratamento da osteoartrite (artrose). Rev Bras Reumatol, v. 42, n. 6, p. 371-4, 2002.
FUKUDA, Vanessa Ovanessian et al. Eficácia a curto prazo do laser de baixa intensidade em pacientes com osteoartrite do joelho: ensaio clínico aleatório, placebo-controlado e duplo-cego. Rev Bras Ortop, v. 46, n. 5, p. 526-33, 2011


PONTOS A FAVOR DO ONDAS CURTAS
 
A terapia com ondas curtas é um recurso que utiliza de calor profundo para fazer uma intervenção terapêutica no paciente. O aparelho de ondas curtas possui muitas aplicações e, quando usado da forma correta, traz diversos benefícios para os pacientes, além de apresentar vantagens também para o fisioterapeuta. O presente texto irá explorar algumas das vantagens desse aparelho.

O ondas curtas pode ser utilizado tanto para ganho de força muscular, quando associado a cinesioterapia, quanto para analgesia. O ganho de força se dá devido ao aumento do fluxo sanguíneo e do metabolismo que potencializa o efeito da cinesioterapia. Isso faz com que ele seja um aparelho completo, se comparado a outros recursos, trazendo mais de um benefício e podendo ser associado a outras intervenções. Além disso, o aparelho de ondas curtas possui grande durabilidade por ser mantido fixo e não ser sujeito ao transporte, o que pode estragar ou descalibrar aparelhos. Isso faz com que o aparelho apresente uma relação de custo-benefício vantajosa, pois, apesar de ser mais caro, custando de 3.000 a 6.000 reais, ele pode ser utilizado para dois objetivos distintos e muito relevantes que são analgesia e ganho de força, além de ter uma durabilidade grande. 

O artigo utilizado como base de argumentação pelo grupo a favor do uso do ondas curtas (WANG, H. et al., 2016) foi feito recentemente e analisou estudos realizados entre os anos de 1986 e 2016, sendo que todos tinham o objetivo de estudar os efeitos do aparelho de ondas curtas em pacientes com osteoartrite de joelho. Além de o texto ser atual, ele fez uma meta-análise, que é um estudo mais criterioso quando comparado a uma revisão bibliográfica. Essa meta-análise utiliza um método estatístico que agrega resultados de estudos independentes que possuem uma mesma questão de pesquisa, e combinam seus resultados em uma medida sumária. Com esse agregado de estudos, a amostra final foi consideravelmente grande, sendo de 542 pacientes no total.

Uma das conclusões que se pode tirar desse artigo é que ele é eficaz para uma ampla faixa etária. Isso é demonstrado pelos estudos científicos que analisaram sua aplicabilidade. Ao todo, eles trabalharam com um grupo heterogêneo, com pessoas de 45 até 85 anos, e obtiveram resultados positivos. Esse é um ponto positivo pois demonstra a versatilidade dessa intervenção.

O artigo cita que o uso do aparelho de ondas curtas não levou a uma melhora na função física, porém ele foi muito eficiente no tratamento da dor, o que pode levar a uma melhora indireta na função. Além disso, estudos do uso de ondas curtas na osteoartrite mostram melhora significativa dos sintomas em mulheres, que são a população mais acometida pela doença. No que se refere aos perigos de causar queimaduras, o paciente tem a percepção da queimadura superficial no mesmo momento da utilização e a recomendação do uso do aparelho é apenas para pacientes com a sensibilidade térmica preservada. 

O tratamento por ondas curtas não é invasivo e é uma forma de termoterapia, logo produz calor. Assim, a aplicação do recurso produz uma sensação de leve aquecimento no paciente, o que é um ponto positivo, tendo em vista que alguns paciente, principalmente idosos, não toleram bem as sensações provocadas por outros recursos que têm o mesmo objetivo das ondas curtas (analgesia e ganho de força muscular) e que envolvem sensações de frio intenso (crioterapia) ou sensação de corrente elétrica passando, popularmente descritas como “choques”. Isso faz com que ele tenha uma maior aplicabilidade, uma vez que as preferências do paciente devem ser levadas em consideração na escolha da terapia a ser utilizada. Os efeitos terapêuticos provocados pelo uso das ondas curtas, que incluem alívio de dores e espasmos, redução de inflamação (antiflogístico), reabsorção rápida de hematomas e edemas, aceleração da cicatrização de feridas e regeneração de tecidos moles, podem influenciar na redução do uso de fármacos, porque a terapia por ondas curtas é capaz de fornecer os mesmos resultados do tratamento medicamentoso, mas de forma menos invasiva ao organismo. 

O mecanismo de ação do aparelho está relacionado com a emissão de ondas eletromagnéticas, o que faz com que ele seja muito criticado por causa dos malefícios causados pela exposição prolongada a mesma. Contudo, isso não implica na inviabilidade desse recurso, por que existe uma normatização para o uso do aparelho que foi feita justamente para evitar esses efeitos adversos. Então, para se proteger e proteger o paciente, o terapeuta deve: reservar uma sala especifica para esse fim e seguir as distâncias e tempo padronizado das sessões. Cumprindo com essas orientações, não há exposição prolongada e o risco de problemas a longo prazo reduz. É responsabilidade do fisioterapeuta, como profissional de saúde, cumprir as medidas de segurança para garantir o bem estar do paciente e de si próprio. Em relação às contraindicações quanto ao uso de objetos de metais, o paciente deve sempre ser orientado pelo fisioterapeuta sobre a preparação necessária para as sessões, assim como em qualquer outro tipo de terapia que tenha contraindicações.

Os efeitos da terapia de ondas curtas, assim como os de outros recursos, possuem um tempo de ação determinado, o que não o torna ineficaz, apenas implicando que, ao escolher esse método, o terapeuta deve atentar-se a esse fato para programar o tempo e a frequência das sessões de forma adequada. Dessa forma, o profissional consegue atingir seu objetivo de curto prazo ao fim da sessão e seu objetivo a longo prazo com a melhora gradual e progressiva devido a continuação do tratamento. 

Embora a utilização do aparelho de ondas-curtas seja contraindicado para pacientes não-responsivos, essa é uma contraindicação muito comum entre os recursos terapêuticos. Além disso, geralmente, os pacientes que fazem o tratamento com ondas-curtas não apresentam incapacidades que os impossibilitem de entender os comandos do profissional e saber responder ao tratamento. Para pacientes não-responsivos são indicados outros meios de tratamento, nos quais o fisioterapeuta não depende tanto do feedback do paciente para dosar o tratamento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
WANG, H. et al. Effects of short-wave therapy in patients with knee osteoarthritis: a systematic review and meta-analysis. In: Clinical Rehabilitation. 2016. Vol 31, Issue 5, pp. 660 - 671. 


PONTOS CONTRA O ONDAS CURTAS

O equipamento de ondas curtas é um recurso terapêutico bastante controverso, visto que a radiação emitida pelo aparelho pode promover riscos à saúde do profissional responsável pela aplicação do tratamento. Um estudo elaborado por HAMBURGER et al (1983) corrobora a ideia de que o aparelho pode prejudicar a saúde dos terapeutas que utilizam o aparelho, uma vez que destaca a ocorrência de cardiopatias em profissionais do sexo masculino. 

A constante exposição à radiação emitida também pode ser prejudicial à formação fetal. LARSEN et al (1991) detectou a ossificação incompleta e a diminuição do peso corporal nos filhos recém-nascidos de fisioterapeutas que trabalham com o equipamento de ondas curtas. Pode-se citar ainda a pesquisa de MESSIAS, OKUNO E COLACIOPPOI (2010), que evidenciaram a elevada intensidade dos campos elétrico e magnético, cujos níveis de exposição se encontraram acima das recomendações da ICNIRP (Conselho Internacional de Proteção contra Raios Não-Ionizantes). Nesse mesmo estudo, os autores também relataram a ineficiência da gaiola de Faraday em proteger os fisioterapeutas contra os campos elétrico e magnético, sendo provavelmente responsável por intensificar os níveis de exposição. 

Concomitantemente, Laufer et al (2005) determinou em suas pesquisas que a aplicação de ondas curtas pulsadas em qualquer nível de dosagem examinado foi ineficaz para dor, rigidez e função. Foi utilizado como medida a escala WOMAC no tratamento da osteoartrite crônica do joelho. Outros autores também concluíram que suas pesquisas sobre o aparelho de ondas curtas em outros modos e outras enfermidades foram inconclusivas ou negativas. 

Outros estudos demonstraram que outros recursos podem ser usados com o objetivo de tratar os mesmos desfechos tratados com a Diatermia por Ondas Curtas (DOC), que é principalmente a dor. Por exemplo, SILVA et al. (2007) comparou a aplicação de crioterapia, cinesioterapia e DOC para tratar a osteoartrite no joelho e concluiu que, para o alívio da dor, o recurso mais eficaz foi a crioterapia. Já para ganho de ADM (Amplitude de Movimento) força e flexibilidade, o melhor recurso foi a cinesioterapia. FERRONATO et al (2017), a partir de uma revisão sistemática de 41 artigos que conseguiu abranger cerca de 2.442 pessoas, concluiu-se que recursos como o ultrassom (contínuo e pulsado), estimulação elétrica e o laser apresentaram melhora no desempenho funcional dos pacientes com osteoartrite no joelho. 

O trabalho de WANG et al. (2016) apresentou um indicativo de que a DOC é eficaz para o alívio da dor, mas que não há melhora na função física da osteoartrite de joelho. Além disso, não foi observado um resultado a longo prazo, sendo que a utilização de outros recurso como o ultrassom, estimulação elétrica e laserterapia seriam mais viáveis,de acordo com o contexto clínico. Essa maior viabilidade para a prática clínica se justifica pelo fato desses recursos serem mais eficientes no desfecho de dor, além de melhorarem a função física e apresentarem menores riscos, especialmente para o terapeuta se comparados ao aparelho de ondas curtas.

Há ainda outros aspectos a serem considerados no que diz respeito às contraindicações do uso do equipamento de ondas curtas e aos cuidados necessários durante sua utilização. Nem sempre o próprio paciente sabe se possui algum fator de restrição, assim como a possibilidade desse paciente apresentar alguma neoplasia ou mesmo um problema cardíaco. Os cuidados com a dosagem utilizada também devem ser levados em conta, uma vez que depende-se do feedback do paciente, que pode ter a sensibilidade alterada, o que aumentaria ainda mais o risco de queimaduras por se tratar de um equipamento que emite calor profundo. 

A partir do exposto e levando em consideração do princípio da prática baseada em evidência, gera-se uma dúvida quanto à utilização do ondas curtas no que diz respeito aos resultados esperados. Ou seja, há poucas evidências relevantes para que o aparelho possa ser usado com eficácia e segurança.

CONCLUSÃO
Em suma, o presente estudo sobre ondas curtas, evidenciou que ele possui contribuições pertinentes à saúde, principalmente ao que se refere à doença osteartrite. Nesse sentido, ainda que o ondas curtas não deva ser usado como o único recurso terapêutico, ele é um interessante recurso na diminuição da dor visando o conforto dos efeitos térmicos para o paciente, o que aumenta os beneficios da sua utilização quando associado a outros recursos para a reabilitação ou prevenção, como a cinesioterapia. Também é uma boa escolha de utilização, pois o ondas curtas pode significar ao fisioterapeuta e ao paciente tempo otimizado, uma vez que o aparelho pode ser utilizado, ao mesmo tempo, como ganho de força muscular e analgesia, diferentemente de outros meios, como o TENS, que necessita de ser associado a algum outro método para conseguir o mesmo efeito.No entanto, esse equipamento possui desvantagens que podem justificar a escolha de outros aparelhos como viés de tratamento.Alguns exemplos são,como é um aparelho muito grande e ocupar muito espaço,não é qualquer clínica que poderá tê-lo e ainda cumprir a norma de distância de selgurança.É necessário retirar do corpo todos os objetos metálicos,o que pode não ser uma situação agradável ao paciente e também a população idosa não teve uma resposta significativa ao tratamento,mesmo sendo as pessoas mais acometidas pela osteoartrite.Além disso,o ondas curtas gera um campo em torno do equipamento e que se não utilizado o equipamento de proteção de acordo com as normas da ABNT e da OMS, trará riscos a saúde do terapeuta que está aplicando e dos passantes.Dessa forma,a utilização ou não do ondas curtas depende das circunstâncias especificas de cada paciente, uma vez que estes apresentam formas diferentes de interação com cada instrumento de aplicação,ou seja, para pessoas com uma mesma doença o tratamento pode ser diferente. Assim, o tratamento ou não com ondas curtas deve ser analisado de forma individualizada e não abolido totalmente da pratica fisioterapêutica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FERRONATO, Letícia et al. Phisical modalities on the functional performance in knee osteoarthritis: a sytematic review. Fisioterapia em Movimento, v. 30, n. 3, p. 607-623, 2017.
Hamburger S, Logue JN, Silverman PM. Occupational exposure to non-ionizing radiation and an association with heart disease: an exploratory study. J Chronic Dis. 1983;36(11):791-802.
Messias, I. D. A., Okuno, E., & Colacioppo, S. (2011). Exposição ocupacional de fisioterapeutas aos campos elétrico e magnético e a eficácia das gaiolas de Faraday. Revista Panamericana de Salud Pública, 30(4), 309-316.
SILVA, Adriana Lucia Pastore; IMOTO, Daniela Mayumi; CROCI, Alberto Tesconi. Estudo comparativo entre a aplicação de crioterapia, cinesioterapia e ondas curtas no tratamento da osteoartrite de joelho Comparison of cryotherapy, exercise and short waves in knee osteoarthritis treatment. Acta ortopédica brasileira, v. 15, n. 4, p. 204-209, 2007.
WANG, Haiming et al. Effects of short-wave therapy in patients with knee osteoarthritis: a systematic review and meta-analysis. Clinical rehabilitation, v. 31, n. 5, p. 660-671, 2017.
Larsen AI, Olsen J, Svane O. Gender-specific reproductive outcome and exposure to high-frequency electromagnetic radiation among physiotherapists. Scand J Work Environ Health. 1991;17(5):324-9.



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