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Eletrotermofototerapia-UFMG-2

ELETROESTIMULAÇÃO DE CORPO INTEIRO

Por que devemos ter cuidado com essa técnica?



Material produzido, em 2020, por discentes matriculados na disciplina Eletrotermofototerapia do Curso de Graduação em Fisioterapia da Universidade Federal de Minas Gerais, sob a supervisão da Profa Ligia de Loiola Cisneros.

Nossos autores:

Ana Luiza, Ana Flávia, Gabriela Ribeiro,Gustavo Henrique, Jéssica Melo, Letícia Quaresma, Maria Clara, Pedro Mello, Stephany Camilo, Thiago Borges e Victor do Carmo.

(Texto revisado pelas monitoras: Gabriela Mendes e Mariany Scaldaferri)


Sabemos que o corpo perfeito é um dos grandes desejos do século 21, em detrimento disso, a indústria investe todo ano em várias formas para as pessoas alcançarem esse resultado. Uma dessas opções é o tema desse texto: o  eletroestimulador de corpo inteiro ou WB-SEM (do inglês whole-body electromyostimulation), que é um aparelho alternativo, mais encontrado em academias e centros de treinamento esportivo, que promete aumentar a contração e a força muscular dos usuários. São descritos diversos benefícios sobre o uso dele, porém será que a eletroestimulação só possui pontos positivos? Infelizmente não!

Neste texto vamos te mostrar quais são as principais desvantagens do uso da eletroestimulação de corpo inteiro, a partir de análises baseadas em artigos que apresentam os contras dessa técnica! Quesitos como custo benefício, contra indicações, o fato de ser uma técnica complementar, o risco de dano muscular severo e poucas evidências da sua real eficácia



  • CUSTO×BENEFÍCIO  

O eletroestimulador de corpo inteiro tem alto custo e é pouco acessível, e o usuário deve ter em mente seu objetivo bem claro e pensar se valerá a pena o investimento em tal aparelho. O valor do aparelho varia entre R$110.000,00 até R$150.000,00 e as sessões individuais para uso dele giram em torno de R$150,00 cada. Além do fato de ser importado para o Brasil, o que se torna um dificultador.

 

  • CONTRAINDICAÇÕES 

O WB-EMS é contraindicado em pacientes com dispositivos eletrônicos implantados, como marca-passos, desfibriladores, neuroestimuladores ou bombas de dor, devido ao potencial de interferência elétrica. Gravidez, arritmia cardíaca, distúrbios dermatológicos extensos, epilepsia, tumores entre outras condições de saúde.

  • NÃO SUBSTITUI OS TREINOS 

Apesar do tratamento com o eletroestimulador prometer um ganho de força, velocidade e resistência, é necessário ressaltar que esse é apenas um complemento para os treinos resistidos, e não proporciona benefícios isoladamente. Sendo assim, essa técnica não substitui os treinos de fortalecimento e deve ser utilizada ao mesmo tempo que o indivíduo realiza os exercícios, ainda mais para quem deseja possuir rendimento atlético de alto nível. É necessário um programa de treinamento, planejado por um profissional com a pessoa, para que então possa obter os resultados desejados. 


  • PODE CAUSAR DANO MUSCULAR 

A eletroestimulação de corpo inteiro (EMS) é capaz de gerar tensão muscular maior do que a que pode ocorrer na contração voluntária, e portanto pode causar degradação muscular muito maior do que o exercício tradicional.

Encontrasse na literatura relatos de efeitos colaterais, os mais relatados são: de dano muscular severo que foram identificados pela elevação excessiva da creatina quinase CK  (A creatina cinase (CK) é uma enzima que é utilizada como indicador da ocorrência de lesão muscular.). E, em alguns casos, há evolução para o quadro de rabdomiólise, essa é uma síndrome grave caracterizada pela ruptura e necrose de fibras musculares, que resulta na liberação de produtos da degradação celular e elementos intracelulares na corrente sanguínea e no espaço intracelular, um dos elementos liberados é a mioglobina que em excesso leva  à obstrução dos túbulos renais,que causa isquemia e lesão tubular, levando-a uma insuficiência renal aguda.

Na revisão “Eletroestimulação de corpo inteiro: uma breve revisão narrativa sobre seus benefícios e riscos” é mostrado o aumento contínuo do nível de creatina quinase (CK) até a última medição. As últimas medições foram realizadas 96 horas após o WB-EMS e nenhuma informação está disponível, no momento em que as atividades de CK diminuíram. Um dos estudos analisados na revisão descobriu que após 10 semanas de WB-EMS (uma sessão / semana), a reação de CK foi significativamente atenuada. Nenhuma explicação é dada para a alta variabilidade interindividual da atividade de CK após WB-EMS.

Na pesquisa realizada por Stöllberger C, Finsterer J. eles encontraram sete casos de rabdomiólise após WB-EMS, os autores acreditam que o número de casos não notificados de rabdomiólise após a eletroestimulação de corpo inteiro é alto.


  • NECESSÁRIOS MAIS ESTUDOS

Embora sejam amplos os efeitos fisiológicos prometidos, ainda são escassos e contraditórios os estudos na literatura sobre os reais benefícios das correntes elétricas sobre o músculo estriado esquelético. Tais divergências ocorrem principalmente pela não padronização da metodologia dos estudos, pelos diferentes aparelhos eletroestimuladores utilizados ou, ainda, pela incoerência na seleção dos parâmetros da corrente. 

A eficácia do WB-EMS foi questionada recentemente por uma meta-análise, os autores sugerem que mais estudos são precisos para estabelecer os efeitos produzidos pelos diferentes parâmetros atuais da EMS. O número de estudos disponíveis atualmente é limitado



  • CONCLUSÃO 

Dessa forma, como foi possível ao leitor observar, há uma escassez de evidências que comprovam a eficácia do WB-EMS. Aliado a isso, existem riscos de danos musculares graves e grupos onde a EMS é contraindicada, sendo assim o uso da Eletroestimulação de corpo inteiro apresenta pontos negativos que devem ser levados em consideração e a sua utilização deve ser muito bem avaliada e pensada.


Aqui no Blog você vai encontrar outras postagens sobre os benefícios dessa terapia. Como sempre, sabendo usar corretamente, este recurso pode trazer muitos benefícios a quem o utiliza.


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Referências para leitura:

Pano-Rodriguez A, Beltran-Garrido JV, Hernández-González V, et al. Effects of whole-body ELECTROMYOSTIMULATION on health and performance: a systematic review. BMC Complement Altern Med2019;19:87.

Stöllberger C,Finsterer J. Side effects of and contraindications for whole-body electro-myo- stimulation: a viewpoint. BMJ Open Sport & Exercise Medicine 2019; 17;5(1):e000619

EVANGELISTA, ALEXANDRE LOPES ; BOCALINI, DANILO SALES ; TEIXEIRA, CAUÊ VAZQUEZ LA SCALA ; PAUNKSNIS, MARCOS RODOLFO RAMOS ; BARROS, B. M. ; BARROS, BRUNA MASSAROTO . Whole-body electrostimulation: a brief narrative review of its benefits and risks. Brazilian Journal of Development, v. 6, p. 85465-85474, 2020.


PERNAMBUCO, ANDREI PEREIRA; CARVALHO, NATANE MOREIRA DE ; SANTOS, ALADIR HORÁCIO DOS . A eletroestimulação pode ser considerada uma ferramenta válida para desenvolver hipertrofia muscular?. Fisioterapia em Movimento (PUCPR. Impresso), v. 26, p. 123-131, 2013.


https://blogdescalada.com/saiba-quais-sao-as-vantagens-e-as-desvantagens-daeletroestimulacao-no-esporte/ 


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