Por: Gabriela Mendes e Mariany Scaldaferri
(alunas do Curso de Graduação em Fisioterapia da Universidade Federal de Minas Gerais)
O que é?
É um recurso eletrofísico que surgiu a partir do desenvolvimento tecnológico, que permitiu a evolução da eletroestimulação tradicional, possibilitando a ativação de vários grupos musculares de forma sincronizada (ao mesmo tempo), o que permite alcançar resultados similares a outras formas de treinamento, como a musculação.
É um aparelho alternativo, mais encontrado em academias e centros de treinamento esportivo, que promete aumentar a contração e a força muscular dos usuários.
Tem sido considerado uma alternativa com grande eficiência em termos de relação tempo-benefício com alta taxa de aceitação mesmo em indivíduos destreinados, pois em pouco tempo consegue-se treinar/estimular vários grupos musculares, isso possibilita exercitar cadeias cinéticas completas ao mesmo tempo e realizar exercícios com posições e movimentos globais durante o estímulo elétrico.
Público alvo
Indivíduos que almejam a melhora da capacidade funcional, sejam estes pessoas saudáveis ou pacientes que não podem realizar exercícios físicos de forma convencional devido às limitações.
O aparelho e a corrente:
Eletroestimulador sem fio
Eletrodos posicionados em um traje que se conecta à fonte da corrente por meio de um cabo principal
Corrente retangular, bifásica e simétrica (despolarizada - mais indicada, já que a aplicação ocorre por um período mais longo) e pulsada - os pulsos são necessários para que a contração muscular ocorra
A corrente é aplicada no ponto motor do músculo
Permite a utilização de até 12 canais, cada um ativando diferentes grupos musculares
Os parâmetros e a intensidade de cada canal podem ser modificados através de um software que gerencia o aparelho.
Rampa de subida e descida
Esses dispositivos são gerenciados por um software que permite a modificação dos parâmetros atuais e da intensidade de cada um dos canais.
Como é utilizada/aplicação:
Na maioria dos estudos, a frequência da corrente utilizada é de 85 Hz.
Com 10 a 30 Hz as fibras do tipo I ou de contração lenta já são ativadas, permitindo o trabalho do ganho de resistência muscular.
Uma corrente de 50 Hz é suficiente para a ativação das fibras do tipo II e trabalhar o ganho de força muscular.
Minimizar ao máximo a frequência da corrente contribui para tardar a fadiga muscular. Portanto, a frequência de 85 Hz (a mais utilizada) não é recomendada para indivíduos com atrofia muscular e sedentarismo (fadigam mais facilmente), de acordo com alguns estudos.
O ciclo de trabalho mais comumente adotado é o de 4–6 s de trabalho a cada 4 s de repouso.
Sessões duram cerca de 20min (Alguns estudos consideram que 20 min é altamente suficiente para aumentar os níveis de força e as habilidades físicas que são derivadas dela, enquanto outro estudo conclui que uma sessão de treinamento clássico de 20 min não parece ser a mais apropriado para a melhoria das habilidades esportivas ou a reabilitação de lesões)
Pontos positivos:
Possibilita exercitar cadeias cinéticas completas de maneira harmônica e realizar exercícios com posições e movimentos globais durante o estímulo elétrico.
Co-ativação de agonistas e antagonistas (de forma sincronizada, assim como durante os movimentos fisiológicos) - Essa característica pode ser uma vantagem, visto que a estimulação de um músculo antagonista pode contribuir para a melhora da força e capacidade aeróbia sem apresentar prejuízo ao padrão motor.
Eficiência em termos de relação tempo-benefício
A técnica possibilita a diminuição da gordura corporal, aumento da massa magra, melhora do desempenho em atletas, reabilitação de pacientes com dificuldades de locomoção, além de melhoras em variáveis psicológicas (como problemas de insônia e ansiedade) e redução de dores musculares (um dos mecanismos que levam à diminuição da dor é a produção de endorfina)
Aumento significativo no diâmetro das fibras do tipo II (contração rápida), proporcionando ganho de força muscular, que proporciona aumento na capacidade do músculo e na sua contração máxima (ao mover um peso em velocidade mais rápida, por exemplo)
Existem inúmeras pesquisas sobre a eletroestimulação muscular local, ainda são necessários mais estudos sobre a Estimulação Global, mas acredita-se que a WB-EMS oferece resultados semelhantes aos obtidos com o EMS local para a reabilitação de lesões, ou seja, para o tratamento eficaz de espasticidade em indivíduos com distúrbios neurológicos, exercícios para indivíduos com doenças e para treinamento de força em indivíduos saudáveis
Pontos negativos:
A aplicação é mais desconfortável que a eletroestimulação tradicional, que aplica corrente no ponto motor de apenas 1 ou 2 músculos. Já o eletrofitness, por aplicar a corrente no ponto motor de vários grupos musculares ao mesmo tempo exige mais energia para que a contração
ocorra.
Relatos de casos nos quais ocorreu rabdomiólise após uma sessão de treinamento com um aumento alarmante na atividade da creatina quinase > degradação muscular
RABDOMIÓLISE: A rabdomiólise é definida como uma condição patológica em que ocorre lesão e necrose (morte) das células do músculo-esquelético conduzindo à libertação de material intracelular tóxico para a circulação sanguínea. O achado laboratorial mais sensível de lesão muscular é a elevação do valor de creatina quinase, que é libertada para a circulação sistêmica após a morte das células musculares esqueléticas. Outro elemento que também é liberado é a mioglobina, que em excesso leva à obstrução dos túbulos renais,que causa isquemia e lesão tubular, levando a uma insuficiência renal aguda.
Alto custo e pouco acessível. O valor do aparelho varia entre R$110.000,00 até R$150.000,00 e as sessões individuais para uso dele giram em torno de R$150,00 cada. Além do fato de ser importado para o Brasil, o que se torna um dificultador.
Não substitui os treinos. Essa técnica não substitui os treinos de fortalecimento e deve ser utilizada ao mesmo tempo que o indivíduo realiza os exercícios voluntários.
Contraindicações:
Contraindicado para pessoas que sofrem de epilepsia, que possuem marcapassos, feridas na pele, tumores, varizes, tromboses, arritmia cardíaca, grávidas, distúrbios dermatológicos extensos, entre outras condições de saúde.
Conclusão:
Mais estudos e evidências são necessárias para tirar conclusões sólidas sobre a eficácia do treinamento com o eletrofitness, além de serem necessárias orientações técnicas adequadas para seu uso e gestão em diferentes contextos.
Deve ser sempre realizado sob a supervisão e orientação de um técnico treinado e atualizado nos avanços desta tecnologia, para que assim sejam evitados riscos desnecessários causados por ignorância e mero desejo lucrativo.
Ameaça à validade externa: Muitos dos estudos publicados até o momento foram realizados com grupos populacionais com doenças muito específicas, indicando um obstáculo para a generalização dos resultados obtidos e para a aplicabilidade clínica.
Usar o aparelho associado a outros tantos recursos, ao invés de utilizá-lo de forma exclusiva, pode colaborar para o alcance dos objetivos desejados. (Ex: aplicar a Eletroestimulação global simultaneamente ao exercício aeróbio pode contribuir para a redução do tecido adiposo em maior extensão do que o exercício aeróbio sozinho > mas ainda são necessários estudos mais específicos).


1 Comentários
Parabéns, Mari e Gabi pelo trabalho.
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