Post produzido pelos alunos: Amanda Alves, Maria Luiza Figueiredo, Mario Recinos, Matheus Lopes e Sergio Silva
Feridas são ocorrências não incomuns, seja por pressão, seja em area de insensibilidade, feridas cirúrgica ou mesmo acidental, e o nosso corpo possui mecanismos próprios para cicatrizá-las. Mas, e se pudéssemos acelerar esse processo com a eletroestimulação? Vamos começar distinguindo ferida de ulcera. As ulceras são feridas crônicas que assim se tornaram exatamente por alguma disfunção no processo natural de cicatrização.
A interação de processos internos, como boa circulação, nutrição, oxigenação e externos, como o exercício e a limpeza são fundamentais para a cicatrização. Alguns tipos de correntes já foram testadas para auxiliar nesse processo, com resultados promissores. As microcorrentes tem se destacado nesse processo, já que as funções fisiológicas dos tecidos biológicos são intermediadas por correntes elétricas endógenas e estas possuem intensidade na faixa de microamperes.
Eletricamente falando, a pele é negativa em sua superfície e as células mais profundas são positivas, ocorrendo então, na cicatrização normal, a atração das células para o tecido lesado. A microcorrente usada na estimulação é finamente sintonizada com os níveis elétricos das trocas iônicas que ocorrem constantemente nos níveis celulares. Apresenta baixa intensidade, podendo variar de 10 a 900 μA. A frequência de aplicação de onda varia, podendo ser aplicada de maneira contínua ou alternada. Ainda não existe um consenso sobre os parâmetros da corrente, como dosagem, frequência, duração da sessão e indicações específicas para os tipos de ferida, logo, existe a necessidade de mais estudos.
Mecanismo de ação:
A seleção da estimulação geralmente se relaciona a fase da cicatrização que o paciente deseja facilitar. A estimulação anódica (eletrodo positivo) é recomendada durante a fase inflamatória e a catódica (eletrodo negativo) na fase de proliferação, remodelamento e maturação da cicatrização. O eletrodo positivo atrai células de defesa para o debridamento autolítico e estimula o crescimento de novos capilares. O eletrodo negativo atrai fibroblastos para a região, para que haja a formação de tecido de granulação. Porém, como existe uma sobreposição dessas fases, o ideal é que ocorra uma reversão periódica da polaridade da corrente durante a sessão de tratamento inteira. Com isso, o período de estimulação catódica e anódica será o mesmo em cada sessão do tratamento.
O tempo de cicatrização envolve fatores como tamanho e a etiologia da lesão. A microcorrente foi mais avaliada em pacientes com úlceras isquêmicas e indolentes e foi demonstrado que essa eletroestimulação auxilia na diminuição do quadro álgico de pacientes com essas condições. Sabe-se também que a microcorrente acelera a produção do ATP, que participa de todos os processos energéticos da célula, promove efeitos bactericidas (nota-se uma alteração no pH e a liberação de íons bactericidas pelo eletrodo) e diminui os sinais de edema.
Contraindicações:
Os estímulos produzidos pela corrente no organismo são subsensoriais, ou seja, não causam nenhum desconforto ao paciente durante a aplicação, tornando a técnica segura e de fácil aceitação pelos pacientes. No entanto, a utilização desse recurso não é recomendada quando em síndromes dolorosas a etiologia não está estabelecida, em casos de gravidez e em usuários de marca-passo. Além disso, não deve ser aplicada diretamente sobre feridas infectadas, sobre tumores malignos ou benignos, sobre o globo ocular, sobre o sino carotídeo, em casos de osteomielite e sobre a musculatura laríngea.
Forma de aplicação:
Para a aplicação das microcorrentes, o profissional deve estar usando material de proteção como luvas, máscaras e protetores oculares. Deve limpar, irrigar e desbridar a lesão antes do tratamento, utilizar eletrodos descartáveis e assegurar que a temperatura do meio de acoplamento seja mais quente do que a superfície da ferida (porém não deve estar acima de 38oC).
Evidências:
Alguns exemplos sustentam os benefícios do uso de microcorrentes na cicatrização. Alves et al. em um estudo de caso relata que uma ferida pós-traumática de 77 cm² localizada na região anterior da coxa do membro inferior direito, não infectada, com cicatrização por segunda intenção há cinco meses, recebeu 30 sessões de MC (100 MHz, intensidade= 80 μA), três vezes por semana em dias alternados durante uma hora. Após 10 sessões, a área da lesão reduziu para 54 cm2 (percentual de redução de 29,9%). Após 20 sessões, a redução foi de 64,9% e após 30 sessões foi 92,2%.
Um estudo clínico realizado por Rodopiano et al.16 em úlceras venosas de 10 pacientes de ambos os gêneros submetidos a 15 sessões com MC (0,5 Hz e 250 μA/30 min), duas vezes por semana mostrou um percentual de redução da área das lesões de 56,23%. O mesmo foi observado em úlceras venosas por Korelo et al. em ensaio clínico controlado, com indivíduos de ambos os sexos, sedentários, idade superior a 50 anos, utilizando MC (pulso monofásico retangular, com reversão de polaridade a cada 3 segundos, 5 Hertz e 500 μA por 4 semanas).
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UTILIZAÇÃO DE MICROCORRENTES. PROCESSO DE CICATRIZAÇÃO DE FERIDAS por: GISELE BARROS. Disponível em: https://www.abrafidef.org.cbr.
Outro estudo, feito por um médico do comitê olímpico canadense, baseou-se no uso da corrente de 20 a 40 μA, frequência de 0,3 Hz, onda de forma quadrada, bipolar e simétrica. Houve também resultados positivos: o período de recuperação, que girava em torno de 18 meses, passou para 6 meses para atletas com rupturas de tendões.
(Esse texto foi revisado pela docente responsável pela orientação dos alunos e sua divulgação pública foi formalmente autorizada pelos autores, em agosto de 2021)
Referências Bibliográficas:
- MARTELLI, A.; THEODORO,V; ZANIBONI.V. Eduarda; FREITAS,B. ; PASTRE, G; MELO,K; ANDRADE,T; SANTOS, G. Maria. Microcorrente no Processo de cicatrização: revisão da literatura. Acesso em 20 de junho de 2021. Disponível em: https://revistas.brazcubas.br/index.php/dialogos/article/downl oad/450/625/;
- MIYASHITA, V. Aiko. Uso da Microcorrente em fisioterapia: revisão de literatura. Acesso em 20 de junho de 2021. Disponível em: https://ceafi.edu.br/publicacao/uso-damicrocorrente-em-fisioterapia-revisao-de-literatura/;
- ARANTES, P. Barbosa; PEREZ, V; MONARI, C.
Juliana; SANTOS, A; PAIS, L. Fernando; MUGNOL,K.
Cristina. Utilização de microcorrentes no processo de
cicatrização. Acesso em 20 de junho de 2021. Disponível em:
https://www.archhealthinvestigation.com.br/ArcHI/article/vie
w/1316.


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