Produzido pelos alunos: Anne Marotta, Bernardo, Débora, Gabriela, Maria Eduarda Mateus.
Uma nova hipótese de tratamento para pessoas com lesão medular tem sido
estudada, a qual é composta pela combinação entre FES e exoesqueletos.
Você sabia que 7% da população brasileira possui algum tipo de deficiência
física? E sabia que a lesão medular é uma das maiores causas dessa deficiência?
Pois bem, esses são dados retirados de um artigo chamado “O Biodesign na lesão
medular”.
O artigo citado mostra como a lesão medular é uma doença relevante e,
partindo dela, o indivíduo pode apresentar tetraplegia ou paraplegia, que se
caracteriza pela perda de funções motoras e sensoriais em segmentos corporais.
Sua origem é multicausal, podendo ser ocasionada por acidentes automobilísticos,
quedas, entre outros. As lesões mais comuns são as que ocorrem nas vértebras
cervicais (entre C5 E C6) seguidas pelas lesões nas vértebras torácicas e lombares
(T12 e L1). Tais lesões podem afetar os membros e órgãos inervados por neurônios
situados abaixo do nível da lesão. Visto isso, uma das maiores limitações e queixas
desse público é a dificuldade de deambulação, sendo assim, estudos e pesquisas
estão sendo realizadas na tentativa de encontrar a melhor alternativa para que a
restauração da marcha seja possível.
O artigo “Review of hybrid exoskeletons to restore gait following spinal cord
injury” faz uma apresentação de possíveis técnicas utilizadas na reabilitação desses
indivíduos, sendo algumas das opções o uso de órteses e a aplicação da
estimulação elétrica funcional (conhecida pela sigla em inglês, FES).
As órteses são variadas e podem ser destinadas a várias áreas do corpo.
Elas permitem a mobilidade com o uso de caminhantes ou muletas, porém, esse
dispositivo apresenta uma grande desvantagem: o alto gasto metabólico. Os
pacientes com esse equipamento gastam 43% mais energia do que quandocomparados a utilização de cadeira de rodas.
Então, se ambos os métodos apresentam problemas, qual seria uma outra possível solução? Em relação a isso, na tentativa de superar esses pontos negativos, cientistas sugeriram a utilização combinada da FES com um exoesqueleto. Essa tecnologia conta com um exoesqueleto, chamado Exosuit, que foi criado por um grupo de pesquisadores em bioengenharia de Harvard. O Exosuit apresenta longas faixas de tecido rígido que integram pontos de fixação no corpo, transmitindo e dividindo a carga pelo corpo. Essas faixas criam linhas de tensão que fornecem forças de tração controlada, semelhantes as geradas no corpo, para auxiliar o movimento. Dessa forma, a redução dos gastos metabólicos provenientes da marcha humana é possível. A FES adicionada ao exoesqueleto permite que haja uma vantagem no aproveitamento da geração de poder muscular para reduzir a demanda energética do exoesqueleto, o que resulta num sistema mais leve
A FES utilizada segue os seguintes parâmetros:
É composta por 8 pares de eletrodos transcutâneos, localizados sobre os nervos femoral, fibular superficial, fibular comum e isquiático;- Utiliza uma frequência entre 20 Hz e 100 Hz;
- A constante para a deambulação se encontra com uma duração de pulso, em média, de 250 microssegundos;
- Cabos de cobres flexíveis e gel como meio de contato com a pele do paciente;
Com isso, essa tecnologia mimetiza os padrões de ciclo da marcha. Em cada
momento as unidades responderão de acordo com o requisito. Para minimizar a
fadiga, a solução encontrada foi revezar entre a FES e o exoesqueleto. Em
determinados momentos o exoesqueleto será mais ativado, enquanto o FES não é
recrutado, possibilitando a utilização por tempos maiores.
A aplicação desse método pode ajudar:
- na recuperação da locomoção;
- no melhor fluxo de nutrientes e energia para os membros afetados;
- na autoestima e capacidade de participar de sua comunidade (independência);
- na redução de espasticidade;
- no fortalecimento muscular e melhora cardiorrespiratória; · na estimulação da plasticidade neural*;
Para que o exoesqueleto combinado a FES tenha sua eficiência máxima, foi
estabelecido um quadro clínico ideal para que ele seja aplicado:
- Presença de estabilidade neurológica;
- Lesão medular completa;
- Nível do dano medular entre T4 e T12;
- Tempo de lesão menor que 2 anos;
- Estabilidade pélvica;
- Grau de espasticidade baixo;
- Resposta muscular a estimulação elétrica;
- Integridade musculoesquelética;
- Motivação do paciente.
* A plasticidade neural é a capacidade do cérebro em desenvolver novas conexões
sinápticas entre os neurônios a partir da experiência e do comportamento do
indivíduo. A partir de determinados estímulos, mudanças na organização e na
localização dos processos de informação podem ocorrer. Através da plasticidade,
novos comportamentos são aprendidos e o desenvolvimento humano torna-se um
ato contínuo. Esse fenômeno parte do princípio de que o cérebro não é imutável,
uma vez que a plasticidade neural permite que uma determinada função do Sistema
Nervoso Central (SNC) possa ser desenvolvida em outro local do cérebro como
resultado da aprendizagem e do treinamento.
Referências Bibliográficas:
- https://pt.slideshare.net/DesignArchivUP/o-biodesign-na-leso-medular-o-estud o-da-aplicao-conjunta-entre-fes-e-exoesqueleto-no-auxlio-a-pacientes-com-par aplegia
- https://www.rehab.research.va.gov/jour/2012/494/pdf/delama494.pdf
- http://www.plenamente.com.br/artigo.php?FhIdArtigo=73




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