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Eletrotermofototerapia-UFMG-2

Contraste de temperatura ou como é mais conhecido, o banho de contraste: quais os efeitos vasculares, na redução de sintomas e na musculatura?

("I'm thinking of..." by Davide Restivo - marked with CC BY-SA 2.0)


Banho de contraste, crioterapia ou infravermelho? Se o tema lhe interessa, leia esta resenha de um artigo científico publicado em 2020. O texto foi elabora e gentilmente cedido por Matheus Lopes Ferreira, aluno do curso de Graduação em Fisioterapia da UFMG, em 2021. Vamos lá?

Titulo do artigo científico: Effects of Contrast Therapy Using Infrared and Cryotherapy as Compared with Contrast Bath Therapy on Blood Flow, Muscle Tone, and Pain Threshold in Young Healthy Adults - dos autores sul coreanos: JinHong Kim, HyunKyung Jung e JongEun Yim

Você pode acessar o texto completo em:




O banho de contraste é uma técnica amplamente utilizada para tratar lesões agudas e subagudas, sendo muito usada em atletas para uma rápida recuperação. Essa técnica é feita através da imersão do segmento corporal, no qual se pretende o efeito, em um recipiente com água quente e logo após a imersão em um recipiente com água fria. Isso aumenta o fluxo sanguíneo pelo efeito bomba obtido pela contração e relaxamento dos vasos sanguíneos, diminuindo o edema, aumenta a retirada de metabólitos inflamatórios (como a histamina) e com isso diminui a inflamação, e aumenta a oferta de oxigênio e nutrientes, acelerando o reparo tecidual. Além desses efeitos, o banho de contraste age aliviando a dor, que mesmo sendo uma resposta protetora do organismo, é também uma sensação que gera impactos negativos físicos, fisiológicos e psicológicos.

Apesar desses benefícios, o banho de contraste necessita de um grande volume de água o que limita a mobilidade, a localização e o controle de temperatura, por isso o estudo pretendia comparar os efeitos do banho de contraste com os efeitos da terapia de contraste utilizando infravermelho, Infralux 300 (Wonsin Therapy Device, Korea, 2009), e crioterapia, Crais (AM-L08G1, Century, Korea, 2005) sobre o tônus muscular (elasticidade e rigidez muscular), o limiar de dor à pressão e o fluxo sanguíneo. Além disso, apesar de terem sido encontrados muitos estudos discutindo a técnica de banho de contraste, poucos estudos foram encontrados discutindo a terapia de contraste utilizando aparelhos.

Aparelhos de infravermelho agem na superfície da pele, emitindo calor através da vibração de moléculas, e possuem uma boa aplicabilidade clínica, devido à sua mobilidade e controle de temperatura. Ainda conseguem penetrar até 2, 3 cm sem irritar a pele, permitindo um bom uso dos efeitos fisiológicos do calor, como alívio da dor, aumento do fluxo sanguíneo e redução de espasmos musculares, na área aplicada. Já o aparelho de crioterapia consegue manter a temperatura por um longo período de tempo e ainda obter o mesmo efeito que a imersão por 20 a 30 minutos em água fria obtém, em poucos minutos, além de também apresentar boa mobilidade.

O estudo foi realizado com 20 participantes adultos, saudáveis, do sexo masculino e feminino que visitaram o Incheon G Hospital, eles foram alocados aleatoriamente em dois grupos. Um grupo receberia a terapia de contraste com infravermelho e crioterapia, e uma semana depois, no mesmo dia e horário, receberia o banho de contraste; O outro grupo, receberia primeiro o banho de contraste e uma semana depois, no mesmo dia e horário receberia a terapia de contraste com infravermelho e crioterapia. Foram realizados testes de fluxo sanguíneo, de tônus muscular e de limiar de dor à pressão, todos nessa ordem, antes e depois de cada aplicação, além de um espaço de 30 segundos entre os testes e 30 minutos para que eles se estabilizassem antes de todo o procedimento, para evitar que as alterações fisiológicas e físicas do dia a dia afetassem.

A aplicação de calor, seja por infravermelho, seja por imersão, era feita por 4 minutos, com uma temperatura entre 38 e 40 graus. Em seguida, era feita a aplicação da crioterapia, seja por imersão, seja por aparelho, por 1 minuto, com uma temperatura entre 14 e 16 graus, totalizando 20 minutos de banho de contraste e de terapia de contraste com uso dos aparelhos.

Quanto ao fluxo sanguíneo houve uma significativa diferença entre o fluxo sanguíneo antes e depois do banho de contraste e da terapia de contraste com aparelhos nos dois grupos, sendo que com a terapia de contraste a melhora do fluxo sanguíneo foi maior, houve uma diferença significativa entre os grupos. Com relação ao tônus muscular, houve um aumento da elasticidade e uma diminuição da rigidez com as duas terapêuticas, apresentando diferenças significativas entre os testes de antes da aplicação e de depois nas duas, e nenhuma diferença significativa entre os grupos. Com relação ao limiar de dor à pressão houve uma diferença significativa nos dois grupos entre o antes e depois da terapia de contraste por aparelhos, com um aumento do limiar de dor à pressão, mas nenhuma diferença significativa entre o antes e depois do banho de contraste, ainda que tenha aumentado, e nenhuma diferença significativa entre os dois grupos.

Esse estudo demonstrou que tanto a terapia de contraste com infravermelho e crioterapia, quanto o banho de contraste aumentam o fluxo sanguíneo, sendo que a primeira apresenta um maior aumento, que ambos os tratamentos aumentam a flexibilidade e diminuem a rigidez muscular e que ambos aumentam o limiar de dor à pressão. Com esses resultados justifica-se o uso da terapia de contraste com aparelhos de infravermelho e de crioterapia na prática clínica, já que essa terapêutica apresenta bons resultados quando comparada ao banho de contraste, que já é amplamente utilizada, e que ela possibilita ainda um melhor controle de temperatura e uma maior facilidade de uso devido a uma boa mobilidade dos aparelhos. Apesar disso, esses resultados não podem ser generalizados, já que o estudo foi feito com poucos participantes e apenas com participantes saudáveis, sendo necessários que mais estudos sejam feitos sobre a aplicação dessa técnica.





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