SLIDE1

Eletrotermofototerapia-UFMG-2

Inteligência artificial e a Fisioterapia: novos tempos




Redes Neurais no cuidado de pacientes: ficção ou realidade? Neural Networks in Patient Care: Fiction or Reality? 




Você já ouviu algum desses termos: redes neurais artificiais, robótica, machine learning(ML), wearable technology, big data, internet das coisas, realidade virtual, medicina 4.0? Você relacionou esses termos à sua prática diária como fisioterapeuta? Ou, como estudante de Fisioterapia, você já sabe como esses conceitos serão aplicados na sua profissão? Se a maior parte das suas respostas é "não"... é hora de se preparar, porque o tempo da ficção acabou. A 4a revolução industrial da história da humanidade, já é realidade. É tempo de se reinventar. 

Se o tema lhe interessa, não deixe de ler o editorial da Revista Ciências em Saúde de dezembro de 2019, disponível em: http://186.225.220.186:7474/ojs/index.php/rcsfmit_zero/article/view/898. Neste editorial, faço uma reflexão sobre a aplicação da Inteligência Artificial (IA) na área das Ciências da Saúde, onde a Fisioterapia se enquadra como área de conhecimento. 

A IA vai influenciar as relações humanas e práticas profissionais neste século. Mais do que entender como ela funciona, é importante saber como ela pode nos ajudar. Eu mesma conhecia muito pouco do assunto até iniciar meu pós doutorado em Engenharia na linha de pesquisa Instrumentação Biomédica e Reabilitação, muito bem conduzida pelo Prof Aparecido Augusto de Carvalho (Unesp – campus de Ilha Solteira). A leitura fluida do livro “21 Lições para o Século XXI”, do historiador Yuval Harari, foi também um convite a me apropriar desses novos conceitos, me aproximar dessas novas tecnologias e a entender sua importância no meu dia a dia e no cuidado de pacientes.

Em um artigo publicado em 2019, na Musculoskeletal Science and Practice (https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S2468781218301590), Christophe Tack,  apresenta uma revisão sobre as aplicações de machine learning, (ou aprendizado de máquina, que é uma tecnologia em que os computadores aprendem por associação de diferentes dados) na reabilitação músculoesquelética. O autor identificou os processos supervisionados ou não onde o ML pode ser usado para fins diagnóstico, de mensuração e de tomada de decisão clínica com acurácia maior ou igual a do humano. Interpretação de imagens, avaliação de padrões de fenótipo de dor, dispositivos tecnológicos vestíveis (wearable tecnology) que usam sensores para medida e monitoramento de performance e aderência a programas de exercício e predição de riscos e desfechos são alguns dos campos explorados neste estudo. Tack aponta as mudanças que irão acontecer na assistência oferecida pelo fisioterapeuta e deixa claro que os profissionais, e estudantes de Fisioterapia, devem ser encorajados a ampliar o conhecimento e as experiências com novas tecnologias.


Mas como os fisioterapeutas, especificamente, têm percebido e acolhido esses novos conceitos e ferramentas em seu cotidiano profissional? Há um estudo (survey) em andamento, cujas coletas foram encerradas em setembro de 2019.   Este estudo foi idealizado pelo pesquisador  Michael Rowe do Departamento de Fisioterapia da University of the Western Cape Town (https://www.physiospot.com/2019/09/25/survey physiotherapy-clinicians-perceptions-of-artificial-intelligence-in--practice/). Os resultados não foram divulgados até o momento. 

As oportunidades, portanto, para utilizar as tecnologias desta indústria 4.0 (expressão criada por Klaus Schwab) são muitas e em todas as profissões da área da saúde. Isso não deve trazer angústia aos profissionais imaginando que as máquinas irão ocupar  todas as posições de trabalho hoje ocupadas por seres humanos.  Segundo C. Krittanawong (2017) em seu artigo The rise of artificial intelligence and the uncertain future for physicians (https://www.ejinme.com/article/S0953-6205(17)30261-3/fulltext), embora a IA possa melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes por auxiliar no diagnóstico e classificação de doenças em menor tempo e na definição de tratamentos usando algoritmos para analisar uma imensa quantidade de bases de dados (big data) de milhões de pacientes, é improvável que ela substitua os profissionais. O contato humano e a empatia da escuta na coleta da história e dos dados do paciente e na condução do cuidado individualizado ainda serão imprescindíveis num cenário com tanta tecnologia. Além do que, ainda é preciso validar a acurácia da IA na prática clínica.

Enfim, podemos concluir que é preciso se aproximar das novas tecnologias que já fazem parte do presente, entende-las e usa-las adequadamente mas sem perder o foco nas relações humanas com nossos pacientes. Afinal, são eles que justificam a nossa existência.

Ligia de Loiola Cisneros 
Janeiro/2020
 







Postar um comentário

3 Comentários

  1. Muito legal. Tenho um pouco de medo de como os robôs podem entrar na vida da gente, mas é inevitável o uso dessas novas tecnologias.

    Parabéns pelo blog

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Os robôs já estão em nosso cotidiano há muito tempo, afinal, quem nunca usou uma calculadora?
      A tecnologia à serviço da humanidade, utilizada de forma ética, não deveria ser fontes de preocupação.

      Excluir
    2. Sim, o uso das tecnologias, com responsabilidade, pode ser de grande valia. A máquina já substitui o Homem em força na Revolução Industrial o que nos permitiu despender energia em outras tarefas. O mesmo acontecerá agora, com a Revolução Tecnológica. Faça o que a máquina não pode fazer!

      Excluir